O verde das esmeraldas fascinou várias civilizações, que consideravam esta pedra preciosa um símbolo de eternidade e poder. Por isso, sempre fizeram parte de coroas e adornos reais. As múmias dos faraós egípcios, por exemplo, eram muitas vezes enterradas com um ceptro de esmeraldas, que garantia ao morto juventude eterna na outra vida.
Mas a origem de esmeraldas que adornam artefactos famosos - como a coroa de São Luís, em França - perdeu-se nos tempos. Uma equipa de investigadores franceses e colombianos conseguiu porém identificar as minas de onde foram extraídas nove das pedras mais famosas.
De caminho, descobriu novas fontes de esmeraldas na antiguidade, e concluiu que o comércio de esmeraldas trazidas da Colômbia pelos espanhóis foi ainda mais intenso do que se pensava. No ocidente e no oriente, eram atribuídos vários poderes mágicos à esmeralda. Pensava-se que protegia de venenos feitos por humanos e picadas de animais venosos, que conferia fertilidade e até curava a epilepsia.
De caminho, descobriu novas fontes de esmeraldas na antiguidade, e concluiu que o comércio de esmeraldas trazidas da Colômbia pelos espanhóis foi ainda mais intenso do que se pensava. No ocidente e no oriente, eram atribuídos vários poderes mágicos à esmeralda. Pensava-se que protegia de venenos feitos por humanos e picadas de animais venosos, que conferia fertilidade e até curava a epilepsia.
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Coroa Relicário de São Luís
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Por isso, ao longo dos últimos quatro milénios, foram tidas como tesouros pelos egípcios, pelos romanos (o imperador Nero observava os gladiadores no circo através de um monóculo de esmeralda), pelos governantes mongóis da Índia, pelos aztecas e também pelas famílias reais da Europa.
A coroa de São Luís (rei de França entre 1226 e 1270) é apenas um dos exemplos de objectos famosos da história e da arqueologia adornados de esmeraldas.
Mas a proveniência destas pedras perdeu-se ao longo dos séculos. Há, no entanto, uma espécie de divisão histórica em dois períodos: antes e depois de 1545, quando os espanhóis começaram a explorar as esmeraldas da Colômbia, no Novo Mundo.
Até ao século XVI, pensava-se que apenas dois locais tinham minas com esmeraldas de boa qualidade: a Áustria e o Egipto. As Minas de Cleópatra, no Egipto, começaram a ser exploradas 1500 anos antes de Cristo, e dali foram exportadas para a Ásia - eram sobretudo trocadas por lápis-lazuli vindo do Afeganistão.
As minas de Habachtal, na Aústria, começaram a ser exploradas mais tarde, por povos celtas e pelos romanos.
As minas de Habachtal, na Aústria, começaram a ser exploradas mais tarde, por povos celtas e pelos romanos.
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| Vale de Habatchal - Austria |
A equipa de Gaston Giuliani, do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento e do Centro de Pesquisas Petrográficas e Geoquímicas de Vandoeuvre, em França, pensaram desvendar o mistério da origem de esmeraldas famosas depois de investigações feitas em minas na Colômbia e no Brasil terem concluído que os depósitos minerais de cada região - e às vezes, de cada mina - se caracterizarem por diferentes níveis de isótopos de oxigénio.
Os elementos químicos têm diferentes isótopos dependendo da sua massa atómica: têm o mesmo número de protões no seu núcleo mas um número diferente de neutrões. A variação dos isótopos de oxigénio nas esmeraldas reflecte a diferente composição e temperatura dos fluidos que se cristalizaram para formar a gema, bem como a composição e temperatura das rochas através das quais passaram antes de se consolidarem.
Estas características funcionam como um verdadeiro bilhete de identidade das pedras preciosas, que podem revelar o local onde nasceram. Por isso, a equipa aplicou esta técnica a nove esmeraldas especialmente famosas.
A mais antiga fazia parte de um brinco do tempo da ocupação romana da Gália, escavado em Miribel (França) e as mais recentes incluíam-se entre as estudadas no início do século XIX por Abbé Hauy, que é um dos fundadores da mineralogia.
Estudaram também a esmeralda da coroa de São Luís, uma das pedras encontradas no espólio do galeão espanhol "Nuestra Señora de Atocha", que se afundou ao largo da costa da Florida em 1622, e quatro gemas talhadas no século XVIII, que pertencem ao tesouro dos príncipes Nizam, que governaram Hyderabad na índia.
Pensava-se que as pedras da coroa francesa e de Hauy provinham de minas do Egipto ou da Áustria, o que foi confirmado pela análise.
Mas a esmeralda do brinco de Miribel veio afinal do Paquistão - um local onde se pensava que estas pedras não eram exploradas na antiguidade.
E uma das pedras do tesouro de Hyderabad vinha do Afeganistão - as minas localizadas no vale de Pansher foram localizadas pelos soviéticos apenas em 1976, mas estes dados revelam que já eram exploradas pelo menos no século XVIII.
"Estas áreas estavam incluídas na Rota da Seda, portanto talvez as pedras tinham sido recolhidas por mercadores e levadas para Roma, França e outros locais", comentou Giuliani, citado num comunicado de imprensa da revista "Science", onde o trabalho foi publicado.
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| Minas de Esmeraldas de Cleópatra- Egipto |
E mais: as pedras do tesouro indiano vieram de três minas colombianas diferentes. Isto mostra que o comércio de esmeraldas vindas do Novo Mundo foi ainda mais rápido e significativo do que se pensava. Na verdade, muitas das esmeraldas guardadas em museus asiáticos - do Palácio Topkapi, em Istambul, até várias colecções indianas - podem vir de facto da Colômbia.
"Os depósitos colombianos são únicos. Produzem gemas maiores e com uma cor e claridade muito ricas. Estas eram as qualidades em que os espanhóis, e o resto do mundo, estavam interessados", concluiu Giuliani.
A equipa vai continuar a estudar a origem de outras pedras preciosas através da análise dos isótopos de oxigénio, mas vai passar do verde para o vermelho: o seu próximo alvo são rubis famosos.
Por ora, ainda está a estudar a geologia e a geoquímica dos vários depósitos destas gemas. "Como geólogos, é a nossa contribuição para estudo das relações comerciais e da história humanas", concluiu o investigador.






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